Design e Construção
Sua configuração é de 1 falante dinâmico e 1 BCD (Bone-conduction Driver, falante de condução óssea).
A shell é feita de resina e, embora leve, ainda passa alguma sensação de solidez. O design da faceplate é de epóxi com glitter e vem em 3 opções diferentes de cor. Pessoalmente, não é do meu agrado (principalmente o marrom, que é o que recebi para testes), mas com certeza irá agradar muita gente com esse look brilhante.

O cabo é bem fino e de plástico liso, sendo um ponto bem negativo da construção do KBEAR. Apesar disso, não tive problemas com o cabo embolando ou com microfonia excessiva (já que qualquer microfonia acaba sendo engolida pela ressonância do BCD, sobre a qual falarei mais abaixo).
O melhor do kit é a seleção de ponteiras inclusa, contendo 3 conjuntos diferentes com tamanhos S/M/L: um set comum de silicone preto, outro de silicone branco e, por fim, um das famosas KBEAR 07.

Em questão de conforto, não tenho do que reclamar. A shell é pequena e, com seus contornos arredondados, não me causou nenhum incômodo ou ponto de pressão. O isolamento também é destaque nesse modelo. Tanto com as ponteiras 07 quanto com as GK TS100, ele entrega uma atenuação muito boa de ruídos externos. Inclusive, ao testá-lo na academia, não senti falta do ANC que teria em um TWS. Ótimo fone para se usar fora de casa.
Condições de Teste
Cabeado via Fosi ZH3 e Snowsky Retro Nano
Bluetooth via TRN BT20 Pro
Sonoridade
A assinatura do KBEAR KB02 me remete bastante à do Nici Hifi Quantum Wanderer, seguindo uma linha mais quente e melodiosa que o famigerado "neutro", porém com uma diferença importante: ele pega as características do Quantum e dobra a aposta. Os subgraves são mais acentuados e as frequências acima são ainda mais recuadas.
Graves
É aqui que o KB02 se destaca. A região tem seu foco nos subgraves, tendo médio-graves até comedidos, dada a proposta do produto. Eles chegam com autoridade e impacto, entregando aquele punch que muda a experiência ao ouvir gêneros mais energéticos, como música eletrônica. Apesar da quantidade, por serem distribuídos mais na região inferior dos graves, eles não chegam a invadir o resto do espectro, e isso ajuda a manter a sonoridade organizada até em tracks mais carregadas e complexas. Essa característica pode ser positiva se você busca uma experiência mais "clean", mas também pode faltar peso para os bassheads mais ávidos.
Médios
Contrastando com a região que os antecede, os médios são de longe o ponto onde ele mais peca para mim. A região toda é escura demais, com pouca presença e uma apresentação que afasta os elementos que eu, como ouvinte, acho importante que estejam mais perto. Vozes, principalmente as masculinas, ficam muito recuadas, fazendo com que a sonoridade passe mais longe do que eu gostaria da naturalidade. O resultado é uma resposta em frequência que, apesar de confortável, acaba sendo inofensiva demais e, por conta disso, tira muito a energia e o envolvimento que o grave, sozinho, poderia proporcionar.
Agudos
As frequências mais altas seguem, em grande parte, a mesma linha de tuning que os médios, mas com uma ressalva: tem um brilho nos agudos altos que não é nada coerente com o resto da apresentação. Passa a impressão de que foram adicionados na intenção de dar mais detalhe à assinatura inicialmente escura, mas a execução desse incremento deixa muito a desejar e resulta numa combinação que não funciona para mim. Enquanto os médios são excessivamente recuados, aparece esse brilho e detalhe artificial que, além de não ser suficiente para devolver a presença faltante no conjunto, soa deslocado e pode incomodar pessoas com maior sensibilidade nessa região do espectro.
Tecnicalidades
O KB02 definitivamente não é um fone expansivo. Seu palco sonoro é bem intimista. Apesar da expansão diminuta do espaço projetado, o fone compensa com uma precisão posicional impressionante para a faixa de preço, o que a própria marca (e minha experiência com outros fones que possuem a tecnologia) atribui ao driver de condução óssea.
Confesso que fiquei surpreso, dada a assinatura dominada pelas baixas frequências, com a capacidade de separação desse fone até em faixas mais bagunçadas e com muitos elementos acontecendo simultaneamente.
Isso não quer dizer que ele seja um primor em detalhe ou que seja excepcionalmente técnico. A separação ajuda, mas não compensa totalmente o equilíbrio tonal e a sensação de que ainda há informações "atrás do véu".
Peculiaridades
Quem nunca ouviu um fone com BCD deve se preparar para uma experiência incomum, não pelo som em si, mas pela ressonância que se ouve ao colocar o fone no ouvido, fazer algum movimento com o maxilar, falar, comer etc. Até comparado com outros fones que possuem a mesma tecnologia na composição, ele tem esse "tum" aproximadamente nos 300 Hz mais intenso ainda, o que eu carinhosamente chamo de "Ressonância Filho do Piseiro". Não é nada que atrapalhe ao ouvir parado, mas, se você é uma pessoa que corre ou faz refeições usando fone, recomendo procurar outra opção.

Veredito
O KBEAR KB02 tem uma proposta bastante específica. Seu grave físico, com impacto mas sem gordura, sem invadir o resto da apresentação, faz dele uma opção interessante para ouvir música eletrônica e outros gêneros que se beneficiam dessa pancada. Os médios e agudos predominantemente relaxados também conferem a ele uma audição muito confortável, especialmente para ouvintes que preterem assinaturas mais brilhantes.
Para mim, porém, a assinatura fechada e com esse brilho desconexo nos agudos altos o tornam um fone que eu não escolheria como daily driver. São características que não consigo ignorar, não somente pelo desequilíbrio, mas pela falta de presença que afasta a música e faz com que seja uma experiência sem a imersão que eu prezo num fone de ouvido.
Se você é um basshead de carteirinha e procura uma sonoridade com impacto, mas sem os agudos mais incisivos que fones de assinatura mais próxima de um V clássico apresentam, o KB02 pode ser uma ótima escolha. No resto, ele é suficientemente competente para não comprometer por completo a experiência. Há opções mais técnicas na faixa de preço, com certeza, mas esse continua sendo um fone a se considerar dependendo do tipo de ouvinte que você é e do que está buscando.
Aviso
Esse fone me foi cedido pelo Davi, Mr. Audiofilia Brasil e cofundador da Sonether, para review. Não me foi imposta nenhuma condição para que eu o recebesse, e todas as opiniões deste post são minhas impressões genuínas do modelo em questão.
Classificação: Rank C
Fica no meio do caminho: tem qualidades claras e uma proposta que pode agradar muito o público certo, mas as limitações decorrentes do tuning impedem que eu recomende esse fone como uma opção versátil, sendo relegado a casos mais específicos e à composição de uma coleção já existente.





